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  • 43 anos depois, habemus “Tédio”: a história de um dos maiores enigmas da música moderna portuguesa
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    Há 43 anos, Carlos Maria Trindade, a braços com o sucesso dos Heróis do Mar, gravou um álbum que nunca chegou a ser editado. Décadas depois, a descoberta da fita ‘master’ num antiquário em Lisboa revela uma peça perdida do puzzle da Lisboa dos anos 80. No centro está a figura radiante de Mia, companheira de vida do músico, falecida há dois anos. “Apresentou-me o Frágil, a estética vanguardista, o António Variações. Está em todo este disco”


  • As últimas eleições do tempo de antigamente
    As últimas eleições do tempo de antigamentePor agora estamos a viver os dias da grande mobilização virtuosa. Declarar apoio a António José Seguro é a nova versão do atestado de bom comportamento civil, quiçá um substituto do registo criminal. Cantores, actores, políticos, gente de quem já não se lembrava o nome e muito menos a actividade, jornalistas, moralistas… correm a declarar o seu apoio a António José Seguro com o sentimento de urgência de quem está a salvar a pátria. Nas sondagens, Seguro ora esmaga, ora arrasa Ventura. O candidato sente-se confortável para aceitar fazer apenas um debate. O exemplo recente da passagem de céu para

  • Variedade na Monotonia
    Variedade na Monotonia‘Podes ter,’ disse Henrique o velho industrial, ‘qualquer opinião, desde que seja de uma certa côr.’   A sentença é profunda, apesar das intenções do autor. O autor queria provavelmente dizer que no que dependesse de si não devia haver muitas opiniões; mas vista só assim a ideia é trivial.  A sua profundidade vem de Henrique ter talvez pressentido que há uma certa constante na variedade; e que aquilo que é constante é o que permite que nos sintamos atraídos pela variedade. Toda a variedade parece requer uma certa monotonia. É certo que a variedade absoluta enjoa instintivamente a quase

  • Marc Carney: do merceeiro de Havel ao banqueiro de Davos – coragem zero, oportunismo total
    Marc Carney: do merceeiro de Havel ao banqueiro de Davos - coragem zero, oportunismo totalO discurso de Mark Carney em Davos (20 de janeiro de 2026) foi saudado pela comunicação social liberal-progressista como exemplar, corajoso e lúcido. Não o é. Trata-se da mais recente e sofisticada tentativa do liberalismo progressista de sobreviver ao colapso da ordem que ele próprio erigiu e de que beneficiou durante décadas. O primeiro ministro do Canadá anuncia a morte da “ordem internacional baseada em regras” como se descrevesse um acidente inevitável, uma “rupture, not a transition”, o fim de uma “pleasant fiction”. Na realidade, fala do fracasso histórico do seu próprio projeto ideológico. O liberalismo progressista não caiu por

  • Impostos do tabaco: entre a ideologia europeia e o pragmatismo nacional
    Impostos do tabaco: entre a ideologia europeia e o pragmatismo nacionalA mais recente intenção da União Europeia (EU) em rever a diretiva europeia da tributação do tabaco, mais propriamente através de dois instrumentos: a TED e a TEDOR, deve pôr-nos sob alerta e vem reacender um debate que vai muito além da saúde pública. A proposta da UE de taxar de forma transversal todos os tipos de tabaco e produtos fumegantes, independentemente do seu perfil de risco ou da realidade económica de cada país, está a gerar uma preocupação legítima na Europa, onde Portugal não é exceção. A TED é a Diretiva Europeia sobre Impostos Especiais do Tabaco e a

  • A Alemanha depois de Merkel
    A Alemanha depois de MerkelTem sido acontecimento recorrente ouvir o Chanceler alemão Merz desdobrar-se em afirmações públicas surpreendentes. Não que sejam controversas; pelo contrário, exprimem um bom-senso há muito ausente dos anúncios feitos por Berlim. São surpreendentes apenas porque a Alemanha habituou-nos desde há 20 anos a seguir a sujeição à fortuna, a navegar ao sabor dos ventos até chegar a sucessivos becos sem saída. Mas, afinal de contas, o que tem dito Merz? Responsabilizou-se pela segurança da Ucrânia sem ambiguidades numa Europa pós-americana; afrontou sem concessões a ameaça russa (não conseguindo no final financiar o esforço de guerra com os activos russos “congelados”);

  • O PSD ainda existe?
    O PSD ainda existe?Há uma semana o PSD despertou de um sonho. Desde as legislativas, em que os eleitores votaram na AD mais por medo de Pedro Nuno Santos que por entusiasmo em Luís Montenegro, e com a vitória nas autárquicas, que foi fruto da coligação com a Iniciativa Liberal, o PSD vivia na ilusão de ser o partido preferido dos portugueses. Diz-se que os vencedores não devem dormir à sombra dos louros, mas como estes não foram merecidos o PSD deixou andar. Até que na noite de 18 de Janeiro bateu na parede. E com estrondo. Se olharmos para as presidenciais de

  • Anunciar bebés
    Anunciar bebésCostumo dizer que o segredo para ter filhos é não planear nenhum. Eu e a Rute não planeámos nenhum filho e temos quatro. Acho que se tivéssemos tentado planear filhos a esta hora ainda estaríamos para os ter (e entretanto a nossa mais velha, Maria, já tem 21 anos). Pais que planeiam filhos podem levar décadas até se sentirem capazes deles. Felizmente não foi o nosso caso: tivemo-los talvez porque nos dispensámos do trabalho de termos planos eficazes para eles. Sem planos eficazes, tivemos quatro filhos em seis anos (o quarto, Caleb, tem agora 15). O ritmo foi rápido. Sobretudo

  • Cuidados Paliativos no fim de vida: direito ou privilégio?
    Cuidados Paliativos no fim de vida: direito ou privilégio?Em maio do ano passado a nossa mãe recebeu o diagnóstico de uma doença oncológica avançada e com muito mau prognóstico. Na casa onde passou os seus últimos meses, viveu a vida de quem tem uma doença incurável e irreversível— um glioblastoma grau 4 — e nós, a responsabilidade de quem cuida, sem rede de apoio disponível. A morte aconteceu em casa, como era o seu desejo. Mas o que deveria ser um ato de amor, uma intervenção no sofrimento e promotora de dignidade, tornou-se também numa evidência assustadora: em muitas zonas de Portugal, cuidar até ao fim, sem dinheiro,

  • Ginásios, PT: o que se passou nos primeiros dias deste ano?
    Ginásios, PT: o que se passou nos primeiros dias deste ano?E parece que há muito mais procura do que oferta, porque 70% dos pedidos ficam sem resposta, na primeira semana de janeiro. A explicação mais provável é a famosa rotina de estabelecer resoluções de ano novo: muitos portugueses decidiram que 2026 era o ano de ir ao ginásio. Ou de se estrear, ou de recuperar essa rotina. Nunca se sabe é se essa vontade dura muito tempo. Mas, pelo menos nos primeiros dias do ano, a procura por serviços de personal trainers (PTs) aumentou. Mesmo muito. Os dados da plataforma Fixando, de contratação online de serviços em Portugal, só na

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